Produzido por: Lin Jiaxi
Quando o carro já foi escolhido e o preço acertado, a aceitação de localização costuma ficar para os últimos dias antes do embarque — justamente a fase em que não dá para apressar nada. A tela até muda para o espanhol, mas os avisos pop-up continuam em chinês; o rádio liga normalmente, porém não encontra as emissoras locais de sempre; a ficha técnica diz que o carro aceita cadeirinhas infantis e, ao levantar o assento, os pontos de fixação do cinto superior não aparecem em lugar nenhum. São detalhes que parecem pequenos, mas quem acaba pagando por eles é o revendedor e o cliente do país de destino.
Os requisitos não podem ser tratados como uma receita única para toda a América do Sul. O Peru aplica seu próprio regulamento nacional de veículos, enquanto os veículos importados comercialmente na Argentina devem estar de acordo com a LCM ou CVHE correspondente. A aceitação de localização não substitui a certificação legal: o papel dela é conferir se o veículo real pronto para embarque corresponde à configuração aprovada e ao contrato de compra.
Trocar para o espanhol é só o primeiro passo
Poder escolher espanhol no menu não significa que o teste de idioma terminou. É preciso desligar e religar o veículo e, de preferência, fazer também um corte de energia e restaurar as configurações de fábrica uma vez. Muitas falhas só aparecem nesse momento.
O painel de instrumentos, a tela central, o HUD, o ar-condicionado, os avisos de ADAS, a tela de carregamento e todos os alertas de falha devem ser conferidos um a um. Se velocidade, odômetro, temperatura, consumo de energia ou pressão dos pneus forem exibidos, é preciso compará-los com o país de destino e com o contrato de compra. Unidades como km/h, km, °C, L/100 km ou kWh/100 km, kPa ou bar não podem voltar à configuração original depois de um reinício. E ver caracteres como á, é, í, ó, ú, ñ e ü aparecendo ilegíveis, cortados ou escondidos atrás de ícones também afeta diretamente o uso no dia a dia.
Também é preciso testar o veículo sem número de telefone, conta ou chip chinês. A câmera de ré, o Bluetooth, o ar-condicionado e as configurações do veículo devem continuar funcionando. Se navegação, assistente de voz, música online, espelhamento do celular e atualizações OTA fizerem parte da configuração vendida, os cenários online e offline devem ser testados separadamente. País e fuso horário, busca no mapa, região do assistente de voz, login da conta e região do serviço OTA também precisam ser confirmados item por item, sem continuar apontando para a região da China. Idioma que volta ao chinês após um reinício, avisos de segurança mal traduzidos, unidades que mudam sozinhas ou ajustes importantes que não abrem são problemas que precisam ser resolvidos antes de o veículo chegar ao porto — não depois.
O rádio deve ser testado país por país
Os limites de faixa e o passo de sintonia costumam ficar escondidos nas configurações do sistema, mas aparecem na hora em que se faz uma busca por emissoras no local. Os canais de FM e de rádio comunitária publicados pela SUBTEL do Chile vão de 88.1 MHz a 107.9 MHz, com passo de 200 kHz. O planejamento oficial da Colômbia cobre 88 MHz a 108 MHz, com 199 canais espaçados em 100 kHz. O marco ampliado de FM do Mercosul ainda envolve 76 MHz a 108 MHz, com 160 canais de 200 kHz. Tudo parece FM, mas a configuração muda de mercado para mercado.
Antes do embarque, vale escolher pontos de teste na parte baixa, média e alta da faixa e verificar a sintonia manual, a busca automática, a gravação de presets e se tudo isso se mantém após um reinício. Se a especificação de venda incluir RDS, AF ou TA, cada função também deve ser validada. Quando o veículo de amostra chegar ao país de destino, recomenda-se repetir a verificação com emissoras que estejam de fato no ar naquele momento.
O Brasil precisa de tratamento à parte. Nem a interface em português nem a configuração de rádio podem simplesmente reaproveitar o pacote do mercado hispânico.
Luzes e fixadores de cadeirinha: é preciso ver o veículo real
"Farol de LED" na ficha técnica descreve apenas o tipo de fonte de luz; não prova que a luminária é adequada ao sentido de circulação do país de destino. O Regulamento ONU n.º 48 trata da instalação dos dispositivos de iluminação e sinalização luminosa, e o Regulamento ONU n.º 149, nas disposições sobre faróis e marcas AFS, distingue luminárias exclusivas para trânsito pela esquerda das que servem para os dois sentidos de circulação.
Na aceitação, é preciso cruzar certificados, marcas da luminária e números de peça do conjunto com o veículo físico e, depois, medir com equipamento adequado a linha de corte do farol baixo, a orientação, a altura do feixe e a função de nivelamento. O D.S. 22 vigente no Chile também define a cor das luzes e a exigência de usar luz de circulação diurna ou farol baixo em estradas interurbanas.
Os fixadores de cadeirinha também não podem ser avaliados pela ficha técnica. É preciso levantar o assento para encontrar os pontos de fixação inferiores e o Top Tether correspondente, conferir etiquetas, quantidade, posição e documentos de certificação, e instalar de verdade uma cadeirinha homologada vendida no país de destino. A CONASET do Chile informa que veículos com homologação de tipo a partir de 26 de março de 2017 devem ter ISOFIX ou LATCH. A regulamentação colombiana exige ISOFIX com o Top Tether correspondente em pelo menos duas posições de assento, e a data de entrada em vigor publicada foi prorrogada para 22 de setembro de 2026. Se o veículo for passar pela alfândega ou ser vendido depois dessa data, é preciso reconfirmar qual versão da norma estará vigente naquele momento.
A amostra aprovada não libera o lote inteiro
Mesmo depois que o primeiro veículo de amostra passa, as unidades seguintes precisam ser conferidas: VIN, códigos de configuração, números de peça do hardware e versões de software. O registro de aceitação deve permitir ver em qual norma ou cláusula contratual ele se baseou, o que foi testado, quando e quem confirmou. Fotos, vídeos e assinaturas das duas partes devem ser guardados junto com o registro.
Esse registro é ainda mais importante quando algo muda. Se o fornecedor troca uma luminária, atualiza o sistema multimídia ou ajusta o pacote regional, não dá para decidir só de conversa se a conclusão anterior continua valendo. Primeiro é preciso ver quais itens a mudança afeta e depois refazer os testes correspondentes.
Descumprimento de normas, ausência de hardware de segurança, avisos de segurança mal traduzidos ou rádio que não permite trocar de região devem bloquear o embarque imediatamente. Problemas menores, como quebras de linha estranhas nos textos, podem ser corrigidos conforme o contrato, mas também precisam ser registrados. Só quando a produção em série corresponde ao estado do veículo de amostra aprovado existe base para liberar o lote.
Matriz de liberação de embarque
| Item verificado | Critério de aprovação | Situação que bloqueia o embarque |
|---|---|---|
| Idioma e avisos | Continuam completos e corretos após reinício e restauração | Aviso de segurança mal traduzido ou ausente |
| Rádio | Faixa-alvo, busca, gravação e pacote regional aprovados | Região não pode ser alterada ou não atende à especificação |
| Luzes | Certificados, números de peça, veículo e medições conferem | Descumprimento de norma ou hardware incorreto |
| Fixadores de cadeirinha | Etiquetas, posição, quantidade e instalação real aprovadas | Falta hardware de segurança |
| Consistência do lote | VIN, códigos de configuração, hardware e software rastreáveis | Produção difere do veículo de amostra aprovado |
Perguntas frequentes
Como incluir os requisitos de aceitação no contrato de compra?
Em um anexo do contrato, especifique o país de destino, os códigos de configuração, as versões de software e hardware, o critério de aprovação, o formato das evidências, a responsabilidade pela correção e o método de reverificação, e exija que o fornecedor avise o comprador antes de alterar qualquer configuração.
A aceitação pré-embarque pode ser feita apenas por vídeo?
O vídeo serve para confirmar o conteúdo das telas e como as operações foram executadas. Padrão de luz, instalação da cadeirinha e tudo o que exige medição com instrumentos precisam ser verificados presencialmente por pessoal técnico e ficar documentados.
Uma atualização de software por OTA invalida o relatório de aceitação anterior?
Depende do que a atualização mudou. Se o idioma do sistema, os serviços regionais, o rádio ou os módulos de controle do veículo forem alterados, os itens afetados devem ser retestados e a versão de software atualizada no relatório.
O Brasil pode compartilhar o mesmo pacote de aceitação que os países de língua espanhola?
Não, não dá para compartilhar diretamente. O Brasil precisa de interface em português e configuração de rádio preparadas separadamente, e a lista de normas deve ser montada conforme os requisitos locais.
Fale com a Starvia Automotive pelo WhatsApp: +1 669 292 8680.
Este artigo foi elaborado com base em normas oficiais e fontes técnicas públicas dos mercados sul-americanos de destino. A aceitação de localização não substitui a certificação do país de destino; as versões das normas, a configuração do veículo e o estado do software devem ser revalidados pelo VIN específico antes do embarque. Data da conferência das informações: 2026-08-18.

